Festa à fantasia. Reencontro a rigor. O tema, grafitado nas paredes, multicor.
Círculo gostoso, endomingado. Calor humano. A esfinge - pernas abertas em vórtice - e outras bundas bloqueavam a cerveja. A mais quadrada: Tebas, cidade das sete portas em papelão. Como era distante a lembrança da tragédia cruenta, ocidental! Aparecia, mas sem sangue ou fervores. Camaradagem de vivência. Apenas. Corações veteranos. E as mãos, acalentadas no braseiro do possível.
Como beber esperança, nos copos das festinhas de crianças. Grandes temas, humanos e vivos, mas em escala de hoje-em-dia. Bonita alegria etílica, sem peso, engolfando os problemas do presente: serpentinas no fog paulista, com bocas tingidas de roxo, Lambrusco em promoção. Prosa descalça pontilhada pelo media player, em loop.
Se o fraque aperta o corpo da figura bruxuleante, as pernas, céleres e graciosas, foram feitas para dançar. Mas, de chofre, propôs-se a desafiante. Duas mãos, esmalte vermelho, grifos nos joelhos do mistério. O ipsilone, já não mais aberto para o céu de brasilite, tremulava.
- Posso pegar uma cerveja?
Chamas, e sob o alarme do estado de sítio, os comparsas, ridentes, encabulados, deixam um a um a plataforma. Presença, só de espírito.
Chamas, e sob o alarme do estado de sítio, os comparsas, ridentes, encabulados, deixam um a um a plataforma. Presença, só de espírito.
- Pode sim. Mas antes você tem que responder o enigma...
- Ah, tem que resolver o enigma, para entrar em Tebas? (grifo da autora)
- Ah, tem que resolver o enigma, para entrar em Tebas? (grifo da autora)
Preparação para o mergulho na cidade sitiada? Estava sozinha, talvez tivesse ultrapassado, sedenta de sangue, a horda civilizada dos aqueus. Fogo nos cabelos. Maquilagem laranja e purpurina multicor nos olhos afiados. O corpo esguio, arquejado - eterna véspera dos trapezistas! -, projetava-se contra o peito da esfinge.
- Peraí que a esfinge até perdeu o fôlego agora...
E por dez segundos, na câmara milenar, o ar rarefeito martelou sem descanso a tumba dos faraós embalsamados. Oh, despertai cadáveres embalsamados! Rompei a fina demão do verniz arcaico! Os manuscritos de Alexandria já desapareceram nos desertos da Macedônia! Inútil, pedra só a esfinge. Decifrasse Venus de Citera o epigramático abracadabra:
_ O que é o que é? Quando você põe na boca, desce queimando; mas se der certo, explode?

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