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segunda-feira, 27 de julho de 2009

Um panfleto interativo

Como todos estão carecas de saber, a crise está chegando ao Brasil. A cada dia se noticia mais e mais demissões, falências etc. E todos os que trabalham em empresas sabem que os novos custos de operação estão sendo “descontados em folha”.

Apesar disso, parece que as pessoas não conseguem aprender. Gastam mais do que ganham, endividam-se, põem a culpa no Estado, esperneiam, reclamam e não mudam de atitude.

Provavelmente não estão aptas a reagir à altura aos desafios que vêm pela frente.

E isso, infelizmente, não é um “privilégio” do Brasil.

Abaixo, segue uma notícia que demonstra perfeitamente o que estamos dizendo.

Fala a verdade... que desplante, que pouca vergonha! Isso é que é...

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Do UOL Notícias*
Em São Paulo


Ex-funcionários ameaçam explodir fábrica falida na França








Funcionários demitidos de uma fábrica de autopeças na França ameaçaram explodir o estabelecimento caso não recebam um pagamento de 30 mil euros pela falência da empresa a cada trabalhador. Segundo a revista "Time", o grupo deu à direção da New Fabris três semanas para debitar o dinheiro aos ex-empregados da fábrica de Châtellerault, na região central do país.
A fábrica foi ocupada por 366 trabalhadores, que já atearam fogo a algumas máquinas e destroços no pátio da companhia. "Queimamos estas máquinas dois dias atrás para provar que estamos dispostos a ir até o fim", disse o ex-funcionário Daniel Thébault ao canal de notícias francês i-Télé, de acordo com informação da "Time". "Não seremos simplesmente descartados como objetos sem valor".

Ex-funcionários da New Fabris ocupam fábrica da companhia na cidade de Châtellerault, na França

Veja foto do protesto no Álbum do dia
Mais em Internacional
UOL Notícias

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... um país de verdade!!!!!!!!!!!!!!!!!!


Se você pensou, antes de ler a continuação da frase, "uma merda", é preferível que nem leia o resto da mensagem.
Afinal, você certamente passa bem, goza de saúde, come à vontade, vive uma vida estável, cheia de delícias para o corpo e o intelecto, além de vislumbrar um futuro brilhante pela frente.

Vamos então propor um joguinho pra você se animar, já que a tv não acena com grandes novidades, seu time não joga hoje, a mulher e/ou o homem dos seus sonhos não vai entrar pela janela e seus amigos estão ocupados...

Ou melhor: vamos propor um exercício de ficção. Ponha sua criatividade para funcionar e vamos lá:

Se algo parecido com esse levante acontecesse no Brasil, como se daria? (escolha abaixo a alternativa que mais lhe aprouver.)

( ) A ação seria levada à cabo, sem maiores consequências. Os ex-empregados seriam processados pela empresa, que ganharia a causa. Ao final, eles estariam obrigados a restituir o valor do montante dilapidado e a arcar com uma ligeira indenização (correspondente a, digamos, 50% do mesmo montante) em nome dos proprietários da empresa.

( ) A ação seria levada à cabo. Mas os ex-empregados seriam presos por atentado ao patrimônio e processados pela empresa . No que a mídia ajudaria, simplesmente trocando a palavra “ocupação” pela palavra “invasão”.

( ) Na véspera da ação, dentre os ex-empregados, haveria um que, com prejuízo ou não de ser atuante na luta contra os patrões, denunciaria o complô de seus colegas; em troca, é claro de vantagens pessoais e de uma módica recompensa (digamos, de R$ 5000,00). Ao final, os trabalhadores seriam processados pela empresa, presos por atentado ao patrimônio (ou poderiam escapar da sanção, mediante pagamento de uma indenização estabelecida em juízo, acrescida de prestação de serviços comunitários - de que talvez alguns deles estivessem tão necessitados quanto os beneficiários)

( ) Na véspera da ação, por volta das 21hrs (hora em que estaria marcada a última assembleia) chegaria à central (secreta) dos trabalhadores livres organizados uma figura desconhecida, em chapéu e sobretudo cáqui. Ela se sentaria à ponta da mesa, se apresentaria com educação, aceitaria o café, rejeitaria o pão com manteiga e começaria a falar. Só sairia de lá, alta madrugada. Uma hora depois, seria a vez dos trabalhadores saírem, já com os ânimos apaziguados. No dia seguinte, às 18hrs, estaria marcado o churrasco de reencontro do turno demitido, na birosca do seu Zé, sem hora pra terminar.

( ) Na véspera da ação, por volta das 21hrs (hora em que estaria marcada a última assembleia), chegaria à central (secreta) dos trabalhadores livres organizados uma figura desconhecida, em chapéu e sobretudo cáqui. Ela seria escorraçada de lá, pelos cinco trabalhadores mais fortes. Nessa mesma madrugada, a central de atendimentos de emergência da Polícia Militar (por um desses acasos do destino) receberia chamados de mulheres e jovens, registrando queixas de desaparecimento.


( ) Um ano antes da ação, metade desses trabalhadores, com apoio e incentivo do sindicato, teria negociado demissão voluntária junto à diretoria da empresa. A outra metade teria sido jogada na rua por não aceitar o mesmo acordo. Um ano depois, se 100% dos trabalhadores daquela primeira metade fosse entrevistada, 10% diria que "passa bem, sabe como é" em seu novo emprego sem carteira; 20% diria que teve de aceitar acordo mais desvantajoso em seu último emprego; 30% diria que foi se virar (tem uma barraca de cachorro-quente, costura pra fora, lava roupa pra fora, faz docinhos, "trabalha" no farol); 30% diria que foi se virar e preferiria não dizer no quê. Seria impossível localizar outros 8%. E os restantes 2% seriam localizados e identificados, um belo dia, pela arcada dentária, numa ocorrência policial que nada teria a ver com a empresa.


( ) Qualquer uma das anteriores e, para o dia seguinte, estaria marcada uma marcha de apoio aos trabalhadores (insurretos ou mortos).

Atenção: se você escolheu esta opção, leia a sequência (mas, atenção: ela só vale para os que responderam “qualquer uma das anteriores”)

Se uma amostragem de 1000 pessoas fosse entrevistada e instada a se posicionar a respeito da tal marcha, 50% desse montante diria simplesmente que se emocionou com a manifestação; 30% diria que manifestações de massa (como marchas e piquetes) são formas antiquadas e atravancadoras de ação política; 20% diria que muitas pessoas podem se prejudicar com os problemas causados pela manifestação (idosos e enfermos em ambulâncias) e teria de conter o fôlego ao final, querendo dizer, na verdade, "foda-se" e segurando na última hora.


( ) Todas as anteriores, você simpatiza com os trabalhadores franceses, mas, no fundo, acha aceitáveis todos os tipos de humilhação que a situação de "trabalho flexível" cria e que os cortes agravam. (Afinal, você pelo menos não passa sem comer, pode dizer mentalmente "antes eles do que eu" e pondera que, para se arriscar tanto assim, sempre haverá o pcc, que, como os famintos, não tem muito o que perder.)

( ) Nenhuma das anteriores, você simpatiza com os trabalhadores franceses, mas é, também, filiado a um movimento social atuante aqui no Brasil. Por isso, aliás, acha esse questionário inteiro uma babaquice. (Se for este o seu caso, nós te saudamos e concordamos com você – desde, é claro, que sua ação política seja comprovada e você não se sirva dela apenas para conseguir votos ou vantagens nos meios onde a fraseologia de esquerda ainda abre portas e garante financiamentos).

obs.: eu disse movimento social. Colaboradores e ex-colaboradores de ongs, salvo raras exceções, não contam (pra começar não são trabalhadores, claro, porque ali se paga consciência, não suor, não é verdade?). E, se você não sabe por quê, procure se inteirar de quanto é a dedução que seu patrão consegue em contrapartida pelo que ele costuma chamar "captação de recursos". Você pode também conversar com seus colegas que caíram no spc depois que a última ong em que eles trabalhavam "faliu”. Pode checar se o seu ex-aluno de Português entrou na universidade, averiguar o destino do seu aluno de malabares, ou, em último caso, ver se aquele mendigo pra quem você deu uma quentinha não está mais lá (e sair rapidinho, antes que uma velhinha caridosa prove que, encerrado o seu contrato, ela faz hoje o seu trabalho melhor - e com mais gosto, aliás - do que você fazia ontem)


ASS.: VENENO DO MEIO-DIA

(o problema dos pseudônimos... verdade... mas não é assinar o que você escreve que te
transforma no homem que você gostaria de ser na frente do espelho. É?)


Simpatizantes, espalhem à vontade!